Plástico – prejudicial ou ecológico?

Os plásticos, apesar de terem trazido grandes avanços para a humanidade, também vem trazido sérias preocupações. O material é, hoje, excessivamente abundante e pode estar se tornando um inimigo invisível para a vida no planeta. Invisível porque seus efeitos ainda estão sob estudos e são difíceis de serem analisados isoladamente, apesar de seu uso já ser difundido há décadas. Toneladas do material ainda não tem encaminhamento após o final de seu ciclo de vida (como a reciclagem, por exemplo) e acumulam-se sobre a superfície terrestre, muitos de seus componentes já estão presentes em nossos organismos, nos dos animais, nas plantas que ingerimos e na água que bebemos.

A indústria plástica ainda envolve uma gama de substâncias consideradas perigosas por órgãos de saúde, tais como: dioxinas (presentes no PVC), parabenos, bisfenol A (presente no PET, nas resinas epoxi e no policarbonato), bisfenóis policlorinados e ftalatos (ambos presentes no PVC),entre outros. O perigo destes componentes é sua capacidade de penetrar nos organismos vivos e causar contaminação sistêmica.

Felizmente, existe preocupação com o futuro do uso dos plásticos e no Brasil já foi inventado o primeiro plástico verde, isento de substâncias prejudiciais. O plástico verde é fabricado a partir do etanol da cana de açúcar, e 100% baseado em mateira prima renovável. Com esta tecnologia é possivel absorver o CO² da atmosfera e transformá-lo em plástico. Além dos aspectos ambientais, o plástico verde possui propriedades idênticas às do plástico tradicional e tem aplicação em mercados como o automobilístico, indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene , entre outras.

Para saber mais sobre plásticos na indústria da construção acesse nosso site e veja o artigo sobre plásticos, que faz parte da nossa apostila sobre materiais de construção e sustentabilidade.

Um artigo da rede Permear explica de forma cautelosa os efeitos de alguns elementos provindos dos plásticos:
http://www.permear.org.br/2007/11/13/os-perigos-do-plastico-para-nossa-vida/

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Tudo o que você precisa saber sobre o LEED

O sistema de pontuação utilizado para a certificação LEED® foi criado com o objetivo de transformar o setor de construção em um setor sustentável. Ele fornece padrões que definem o que é um green building, ou seja uma edificação verde ou sustentável.

O processo de certificação LEED® acompanha todo o cronograma do empreendimento, desde a fase inicial da escolha do local e o desenho do projeto até a entrega da obra.

Após a sua finalização e o início de operação do empreendimento, informações relativas ao projeto e o processo de construção são encaminhadas ao US GBC que, em um prazo de 25 dias úteis, realiza uma auditoria documental. Novas informações podem ser solicitadas à equipe do empreendimento para uma segunda avaliação. Deve-se considerar um prazo médio de 4 a 6 meses após a conclusão da obra para obter a certificação LEED®. Apesar destas previsões, o processo pode demorar mais devido a quantidade de comprovações, simulações e documentações necessárias e a falta ainda de uma metodologia de trabalho para a equipe de projeto e avaliação.

Quais são os pré-requisitos e a pontuação para certificar:

Pré-requisitos: São requisitos mínimos a serem atendidos pelo projeto, para que o mesmo tenha direito a acumulação de pontos para certificação, caso não sejam atendidos o projeto não poderá ser certificado.

Pontuação: A pontuação varia de acordo com a categoria a ser atendida, a partir de um número mínimo de pontos a construção poderá ser certificada, podendo ser: Certificada, Prata, Ouro ou Platina.

Segue o sistema de pontuação LEED para Novas Construções v2.2

Sustentabilidade do Espaço – 14 Pontos

Pré-requisito 1 – Prevenção da poluição na atividade da Construção
Crédito 1 – Seleção do Terreno – 1 ponto
Crédito 2 – Densidade Urbana e Conexão com a Comunidade – 1 ponto
Crédito 3 – Remediação de áreas contaminadas – 1 ponto
Crédito 4.1 – Alternativa de Transporte, Acesso ao Transporte público – 1 ponto
Crédito 4.2 – Alternativa de Transporte, Bicicletário e Vestiário – 1 ponto
Crédito 4.3 – Alternativa de Transporte, Uso de Veículos de Baixa emissão – 1 ponto
Crédito 4.4 – Alternativa de Transporte, Redução área de estacionamento – 1 ponto
Crédito 5.1 – Desenvolvimento do espaço, Proteção e restauração do Habitat – 1 ponto
Crédito 5.2 – Desenvolvimento do espaço, Maximinizar espaços abertos – 1 ponto
Crédito 6.1 – Controle da Enxurrada, Controle da quantidade – 1 ponto
Crédito 6.2 – Controle da Enxurrada, Controle da qualidade – 1 ponto
Crédito 7.1 – Redução da ilha de calor, Áreas cobertas – 1 ponto
Crédito 7.2 – Redução da ilha de calor, Áreas descobertas – 1 ponto
Crédito 8 – Redução da Poluição Luminosa – 1 ponto

Uso Racional da Água – 5 Pontos

Crédito 1.1 – Uso eficiente de água no paisagismo, Redução de 50% – 1 ponto
Crédito 1.2 – Uso eficiente de água no paisagismo, Uso de água não potável ou sem irrigação – 1 ponto
Crédito 2 – Tecnologias Inovadoras para águas servidas – 1 ponto
Crédito 3.1 – Redução do consumo de água, 20% Redução – 1 ponto
Crédito 3.2 – Redução do consumo de água, 30% Redução – 1 ponto

Energia e Atmosfera – 17 Pontos

Pré-requisito 1 – Comissionamento dos sistemas de energia
Pré-requisito 2 – Performance Mínima de Energia
Pré-requisito 3 – Não uso de CFC´s
* Nota para EAc1: Todos LEED para Nova Construção de projetos registrados após 26 de Junho de 2007, são necessários alcançar pelo menos, dois (2) pontos sob EAc1.
Crédito 1 – Otimização do desempenho no uso de energia – 1 a 10 pontos
10.5% Prédios novos ou 3.5% Prédios reformados – 1 ponto
14% Prédios novos ou 7% Prédios reformados – 2 pontos
17.5% Prédios novos ou 10.5% Prédios reformados – 3 pontos
21% Prédios novos ou 14% Prédios reformados – 4 pontos
24.5% Prédios novos ou 17.5% Prédios reformados – 5 pontos
28% Prédios novos ou 21% Prédios reformados – 6 pontos
31.5% Prédios novos ou 24.5% Prédios reformados – 7 pontos
35% Prédios novos ou 28% Prédios reformados – 8 pontos
38.5% Prédios novos ou 31.5% Prédios reformados – 9 pontos
42% Prédios novos ou 35% Prédios reformados – 10 pontos
Crédito 2 – Geração local de energia renovável – 1 a 3 pontos
2.5% Energia Renovável – 1 ponto
7.5% Energia Renovável – 2 pontos
12.5% Energia Renovável – 3 pontos
Crédito 3 – Melhoria no comissionamento – 1 ponto
Crédito 4 – Melhoria no uso de gases refrigerantes – 1 ponto
Crédito 5 – Medições e Verificações – 1 ponto
Crédito 6 – Energia Verde – 1 ponto

Materiais e Recursos – 13 Pontos

Pré-requisito 1 – Depósito e Coleta de materiais recicláveis
Crédito 1.1 – Reuso de Materiais, Manutenção 75% Paredes, Forros e Coberturas – 1 ponto
Crédito 1.2 – Reuso de Materiais, Manutenção 100% Paredes, Forros e Coberturas – 1 ponto
Crédito 1.3 – Reuso de Materiais, Manutenção 50% dos elementos interiores não estruturais – 1 ponto
Crédito 2.1 – Gestão de Resíduos da Construção, Destinar 50% para reuso – 1 ponto
Crédito 2.2 – Gestão de Resíduos da Construção, Destinar 75% para reuso – 1 ponto
Crédito 3.1 – Reuso de Materiais, 5% – 1 ponto
Crédito 3.2 – Reuso de Materiais,10% – 1 ponto
Crédito 4.1 – Conteudo Reciclado, 20% (pos-consumo + ½ pre-consumo) – 1 ponto
Crédito 4.2 – Conteudo Reciclado, 10% (pos-consumo + ½ pre-consumo) – 1 ponto
Crédito 5.1 – Materiais Regionais, 10% Extraido, Processado e Fabricado Regionalmente – 1 ponto
Crédito 5.2 – Materiais Regionais, 20% Extraido, Processado e Fabricado Regionalmente – 1 ponto
Crédito 6 – Materiais de Rápida renovação – 1 ponto
Crédito 7 – Madeira Certificada – 1 ponto

Qualidade Ambiental Interna – 15 Pontos

Pré-requisito 1 – Desempenho Mínimo da Qualidade do Ar Interno
Pré-requisito 2 – Controle do fumo Requisito
Crédito 1 – Monitoração do Ar Exteno – 1 ponto
Crédito 2 – Aumento da Ventilação – 1 ponto
Crédito 3.1 – Plano de Qualidade do Ar, Durante a Construção – 1 ponto
Crédito 3.2 – Plano de Qualidade do Ar, Antes da ocupação – 1 ponto
Crédito 4.1 – Materiais de Baixa Emissão, Adesivos e Selantes – 1 ponto
Crédito 4.2 – Materiais de Baixa Emissão, Tintas e Vernizes – 1 ponto
Crédito 4.3 – Materiais de Baixa Emissão, Carpetes – 1 ponto
Crédito 4.4 – Materiais de Baixa Emissão, Madeiras Compostas e Agrofibras – 1 ponto
Crédito 5 – Controle interno de poluentes e produtos químicos – 1 ponto
Crédito 6.1 – Controle de Sistemas, Iluminação – 1 ponto
Crédito 6.2 – Controle de Sistemas, Conforto Térmico – 1 ponto
Crédito 7.1 – Conforto Térmico, Projeto – 1 ponto
Crédito 7.2 – Conforto Térmico, Verificação – 1 ponto
Crédito 8.1 – Iluminação Natural e Paisagem, Para 75% dos espaços – 1 ponto
Crédito 8.2 – Iluminação Nateural e Paisagem, Para 90% dos espaços – 1 ponto

Inovação e Processo do Projeto – 5 Pontos

Crédito 1.1 – Inovação no Projeto: Insira o título – 1 ponto
Crédito 1.2 – Inovação no Projeto: Insira o título – 1 ponto
Crédito 1.3 – Inovação no Projeto: Insira o título – 1 ponto
Crédito 1.4 – Inovação no Projeto: Insira o título – 1 ponto
Crédito 2 – Profissional Acreditado LEED® – 1 ponto

Total Pontos (pré-certificação estimativas) – 69 Pontos
Certificado: 26-32 pontos, Prata: 33-38 pontos, Ouro: 39-51 pontos, Platina: 52-69 pontos

Custo para certificar:

Estima-se que uma edificação verde certificada pelo LEED pode custar de 15 a 20% mais, porém também há uma valorização do imóvel em 20% (O valor 20% foi estimado pelo Prof. Claudio Alencar, do grupo de Real Estate da Poli-USP) e o custo de manutenção pode diminuir em média 30%.

Os custos diretos da certificação são:

Registro do Projeto junto ao USGBC – $1.200 ou “$900” para membros
Análise de Projeto – $2.250 ou “$2.000” até 50.000Sq. Ft (4645m2)
$0,045 ou “$0,04” /Sq. Ft. até 500.000Sq. Ft (46451m2)
$22.500 ou “$20.000” mais de 500.000Sq. Ft (46451m2)

Certificação Obra – $750 ou “$500” até 50.000Sq. Ft ( 4645m2)
$0,015 ou “$0,01”/Sq. Ft. até 500.000 Sq. Ft (46451m2)
$5.000 ou “$4.500” mais de 500.000Sq. Ft (46451m2)

A consultoria para o processo (não obrigatório) pode ficar em torno de 1 a 5% do valor da obra.

Os dados acima foram compilados do FAQ: http://www.gbcbrasil.org.br/pt/index.php?pag=faq.php

Críticas:

O selo LEED foi criado nos EUA e ainda precisa ser adaptado à realidade brasileira. O que vemos é que alguns pré-requisitos são super valorizados com pontuações altas como é o caso dos sistemas de redução de consumo energético e uso de controle e automação, que acabam encarecendo a obra fazendo com que a sustentabilidade econômica não seja alcançada. O uso de sistemas artificiais de climatização e controle são mais encorajados do que a adoção de estratégias bioclimáticas que, adequadas ao projeto, não geram custos extras a obra e levam a um menor consumo energético e maior conforto dos usuários.

Algumas questões importantes para o Brasil, como a minimização de resíduos, inibição de materiais com conteúdos tóxicos e degradantes,  incrementação dos ecossistemas locais e valorização de aspectos sociais, como o uso de materiais com valor cultural ou com apelo social, não estão sendo encorajados pelo selo, ainda.

Críticas arquiteta Carine Nath da Ecodhome.

Uma obra não precisa ser certificada para ser mais sustentável, porém o que vemos é que os selos trazem uma garantia para clientes e usuários e um marketing positivo ao empreendimento, muito buscado pelos investidores.

Construção em palha

Para alguns pode soar uma volta ao passado, mas a construção com palha vem se difundindo no meio da permacultura e da bioconstrução. Para a execução de uma parede de palha, fardos são empilhados e presos por arames, depois rebocados com uma mistura de solo, cimento, cal e esterco.
O conforto térmico e a qualidade do ar interno deste tipo de construção são inigualáveis, além do preço reduzido. Não são necessários pilares ou vigas, apenas o Baldrame para afastar a parede de palha do solo úmido.
Para quem quiser conhecer mais sobre o assunto, recomendo:
http://www.ecocentro.org/bioconstruindo/fardos.html
http://www.mrdavila-architecture.com/Projekte/Sentinela%20do%20Sul/sentinela_port.html
http://www.reporterx.com/index.php?option=com_content&view=article&id=47:uma-casa-de-fardos-de-palha&catid=38:bioconstrucao&Itemid=70