Modelo de sustentabilidade na arquitetura: Real Goods Solar Living Center

O trabalho do arquiteto Sim Van Der Ryn é notável na área da sustentabilidade. Segundo seu portifólio, ele segue o princípio do Design for Life, ou seja, “desenho para a vida“, projetos feitos para valorizar a vida, inspirados na natureza, nos seus processos e ciclos e formas.

O projeto Real Goods Solar Living Center é um dos maiores modelos de sustentabilidade aplicada à arquitetura. Está localizado na Califórnia, EUA e foi projetado em 1996. Seus princípios de arquitetura sustentável são:

– projeto bioclimático;

– paisagismo sustentável com criação de espécies orgânicas;

– autonomia de energia;

– uso de água de chuva;

– materiais de baixo impacto, como a terra estabilizada (paredes em taipa).

A forma do complexo construído partiu do formato da espiral áurea, que é uma espiral logarítmica com um valor específico para o fator de crescimento. Este padrão é muito encontrado na natureza e para muitos estudiosos, é uma proporção pela qual identificamos a harmonia das formas. Os edifícios ao redor são escalonados e permitem que a luz e o calor do sol entre em cada ambiente de acordo com a necessidade de cada estação do ano.

Arquitetura sustentável

arquitetura bioclimática

A arquitetura bioclimática dos edifícios faz uso de luz natural com proteção através de brises:

Brises na arquitetura

No centro deste complexo está um espelho de água em espiral que serve para melhorar a umidade do ar e criar um elemento natural harmonico no centro.

Espelho dágua

Lago ornamental em espiral

O uso e efeito da luz natural nos ambientes tem grande importância nos espaços e são tratados de forma especial pelo benefício que trazem para os usuários. Um exemplo disso é a iluminação natural da loja, que vende produtos naturais feitos no local, as aberturas superiores é suficiente para iluminar o ambiente  e no meio da loja prismas criam um arco iris no chão pela incidência da luz solar.

Efeito de luz natural

As unidades habitacionais são criadas dentro do mesmo princípio, com formas orgânicas e paredes feitas em taipa. cada unidade tem sua produção própria de alimento:

O complexo é auto suficiente em energia, há fontes de energia alternativas em todos os espaços:

Fontes de energia alternativas

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Cobogós na arquitetura bioclimática

O Cobogó é uma criação autêntica brasileira e marcou época na arquitetura dos anos 60. Sua invenção se deu a partir da necessidade de proteção das fachadas muito ensolaradas que ganham calor para o edifício, o sombreamento de aberturas é uma dos principais estratégias bioclimáticas no Brasil. Além de funcionais, seu efeito estético é muito interessante, parecendo um rendado na fachada. A seguir algumas fachadas com cobogós no Brasil e no mundo:

A casa Tangram, da DOMO arquitetos:

Dos mesmos arquitetos a Casa Cor de Brasília:

Alguns exemplos da década de 60:

Outros exemplos mais moderninhos:

É possível encontrar facilmente elementos vazados de concreto, que podem ser pintados de cores diferentes para dar um maior efeito visual. Algumas empresas estão recriando Cobogós quem vem sendo cada vez mais utilizado na arquitetura contemporânea. Este modelos são Elemento V:

Cores na arquitetura sustentável

Muitas pessoas não sabem que a escolha das cores podem influenciar muito na sustentabilidade da casa.

No exterior do edifício a cor da fachada pode influenciar no seu grau de conforto térmico. Em países quentes como o Brasil, as cores claras, principalmente o branco são muito indicadas pois refletem os raios solares minimizando ganhos de calor para o interior, além de amenizar o microclima urbano. Para cálculo de desempenho térmico de paredes e coberturas, sempre é considerada a cor da superfície, as cores claras possuem menor absortividade às radiações:

A cor branca nas fachada está em alta hoje e refletem modernidade para as fachadas, como nestes projetos desenvolvidos pela Ecodhome:

fachada casa oeste

No interior as cores podem trazer várias sensações, trazendo conforto visual, sensitivo e lumínico. Segue as indicações de cada cor segundo diversas teorias de arquitetura ambiental:

Tons de azul: são calmantes, frescos (indicados para locais quentes) bom para quartos e locais em que se espera tranquilidade e repouso. Nos tons mais fortes, estimula a comunicação. Para pessoas depressivas indica-se tons mais aproximados do azul hortência.

Tons de verde: conhecido no Feng Shui como a cor da cura. É tom neutro indicado para todos os ambientes da casa, dá a sensação de maior contato com a natureza por isso geralmente é benéfico. Verde com outras cores naturais, tais como beje, palha e marrom, dão sensação de aconchego.

Tons de vermelho: é estimulante e indicado para lugares para atração de público, é estimulante e não deve ser utilizado em excesso nem em ambientes pequenos, pois o vermelho aproxima a parede dos olhos.

Tons de amarelo: muito na moda hoje, é cor estimulante indicada para escritórios e locais de refeições. Nos escritórios estimulam a criatividade e atividades em geral. Tons de amarelo abertos sã muito estimulantes e devem ser usados nos detalhes, cores de amarelo quente dão aconchego em ambientes frios, tons de amarelo “baunilha” fazem os espaços parecerem maiores. Os alaranjados estimulam o apetite e trazem alegria e disposição.

Branco: cor que melhora a iluminação em ambientes escuros, mas não é indicado para ambientes claros e frios. Muito indicado para ambientes confinados e pequenos, em paredes e tetos. Já existe no mercado uma tinta da Coral que reflete mais a luz no interior dos espaços. Decora Luz & Espaço, é uma tinta que ajuda a iluminar o seu ambiente, trazendo sensação de maior espaço, por contar com a tecnologia internacional LUMITEC, que apresenta partículas que refletem o dobro de luminosidade, se comparada a uma tinta convencional.

Cinza: também muito utilizado, para diminuir a frieza da cor, prefira os levemente bege, em tons de concreto.

Todas as cores escuras aproximam a parede do olhar, portanto diminuem os ambientes. Já as cores claras podem ser utilizadas em todas as paredes.

Sobre as tintas, lembre de escolher as menos emissivas e garanta mais saúde na sua casa!

Iluminação eficiente

Os gastos com iluminação artificial podem gerar um alto custo mensal para os edifícios, o planejamento de uma iluminação ineficiente torna-se tarefa imprescindível para os arquitetos que pretendem alcançar a alta qualidade nos espaços construídos.

Planejar eficientemente a iluminação não é apenas usar lâmpadas de baixo consumo, é preciso considerar uma série de fatores que podem afetar na eficiencia geral da iluminação. A Ecodhome desenvolveu uma espécie de checklist para o desenvolvimento de um projeto de iluminação eficiente:

1. Otimizar a iluminação natural: um projeto eficiente começa desde os primeiros traços arquitetônicos, quando se pensa em arquitetura bioclimática. Um edifício eficiente aproveita a luz solar durante todo o dia, mas sem ganhar calor através dos raios solares. Esta é uma tarefa difícil e precisa ser bem pensada fazendo-se uso de vários elementos de fachada que permitam o ganho da luz, sem ganhos excessivos de calor, tais como: uso de vidros epeciais, uso de brises, platibandas, clarabóias, domos, etc. Um projeto de iluminação natural eficiente deve considerar inclusive a qualidade da iluminação pretendida, que satisfaça os usos da edificação ou valorize formas e ambientes internos. A seguir o exemplo de uma boa iluminação natural do projeto dos arquitetos José Gomes e Karla Figueiredo:

2. Calcular a iluminação artificial: na hora de projetar o sistema artificial é preciso, em primeiro lugar calcular a iluminação requerida para que, a iluminação fornecida não exceda o necessário, o que é muito comum. Este cálculo permite que se atinja um maior conforto lumínico no espaço, garantindo que todos os espaços estejam confortavelmente iluminados. Para isso considera-se a iluminação mínima de 500 lumens para área de pouca permanência e 1000 lumens para áreas de trabalho. Calcula-se também uma previsão da iluminação natural ao longo do dia e durante as diferentes situações do céu (dia de sol, céu encoberto, por exemplo) para verficar em quais situações a iluminação artificial será necessária. Hoje é possível planejar a iluminação através de programas computacionais que fornecem os dados sobre a iluminação natural.

3. Criar diferentes circuitos de iluminação: ao se verificar que a iluminação natural muda em cada área do espaço é preciso que os circuitos de iluminação sejam projetados a partir destas situações, para que fiquem ligadas apenas as lâmpadas necessárias para cada situação. A criação de circuitos diferentes para iluminação geral e iluminação específica é uma forma de se manter ligadas apenas as lâmpadas necessárias para cada tarefa. Um local nunca é homogêneo em iluminação natural e o que ocorre é que no final do dia, algumas áreas sofrem escurecimento mais cedo e a iluminação artificial deve prever estas áreas, fornecendo iluminação apenas nestes pontos, diminuindo os consumos energéticos. A iluminação artificial poderá ser ligada gradativamente, na medida que a iluminação natural vai decaindo. Já existem no mercado aparelhos de automação que fazem esta função automaticamente através de dimers. Os dimers manuais também são muito eficientes nestas situações. É importante lembrar que há muitas lâmpadas econômicas que não podem ser dimerizadas. A seguir um exemplo de iluminação artificial e natural em conjunto:

4. Utilização de luminárias eficientes: muitas luminárias do mercado não aproveitam toda a iluminação da lâmpada, sendo que parte dela é perdida, sendo necessário um consumo maior de energia. As luminárias com policarbonato, por exemplo, podem perder até 40% da iluminação. Cada luminária deve ser escolhida para cada uso, por exemplo, para a as área de trabalho, é muito indicado a iluminação por pendentes, que aproximam a iluminação da mesa; outro exemplo é a iluminação geral por lâmpadas refletoras que rebatem a luz internamente fazendo a luz distribuir melhor pelo ambiente. A seguir exemplos:

5. Equipamentos eficientes: por fim o uso de lâmpadas de baixo consumo são a melhor opção para iluminar ambientes, há hoje no mercado uma variedade grande de lâmpadas eficientes. Para garantir a eficiência da lâmpadas o fornecedor sempre informa a quantidade de lumens por watt, ou seja, quanto ilumina cada Watt consumido pela lâmpadas. São consideradas lâmpadas eficientes aquelas que têm mais de 60lm/w.

Veja o exemplo da loja Eco Moda para Crianças, projetada pela Ecodhome, que utilizou leds, lâmpadas fluorescentes modernas e lâmpadas de vapor metálico, que são consideradas muito eficientes:

VEJA O PROJETO AQUI!

Você precisa de um projeto eficiente? Entre em contato com a Ecodhome.

Brises – filtrando a luz solar

Brises Soleils são elementos arquitetônicos que servem para “quebrar” o sol, ou filtrar a luz solar, impedindo ganhos de calor no edifício, mas mantendo os visuais pelas aberturas.

Os brises podem, além de ajudar na proteção solar, ajudar na criação de fachadas muito interessantes. Por isso, selecionamos, neste post, diversos modelos de brises e seus inúmeros efeitos e visuais.

Brises da casa Sunset Cabin dos arquitetos do Taylor Smyths Architects:

De forma a manter o belo visual do pôr do sol no lago Ontario no Canadá, a casa possui brises do tipo ripa em madeira, que filtra a luz intensa do sol da tarde. A fachada ficou mais interessante com as ripas.

Brises na fachada do edifício da Loducca, dos arquitetos do escritório Tryptyque:

A forma é inspirada no edifício Cogan de Niemeyer, a arquitetura brasileira daquela década fazia muito uso desses elementos.

Dos mesmos arquitetos, a premiada casa Harmonia 57, que possui várias soluções de bioclimática, inclusive os brises móveis da frente:

Brises na casa Umbrella, dos arquitetos Pugh + Scarpa

Os brises desta casa são feitos de diversos elementos, inclusive as placas dos painéis fotovoltaicos tem essa função.

Brises verdes:

Outra opção é dada pela Ecotelhado, que fornece brises feitos com vegetação que, além de proteger do sol melhora a qualidade do ar urbano e reduz o efeito do microclima.

Casa Modelo de Sustentabilidade

Com intuito de servir de modelo para quem quer construir de forma mais sustentável, a Casa modelo foi criada pelo escritório Ecodhome e já possui 1 ano de existência. A Casa modelo chamada de Ecohabitat serve como uma exposição de tecnologias sustentáveis, saúdáveis e viáveis. Foi construída em Florianópolis e faz uso de diversas soluções de sustentabilidade:

– PROJETO BIOCLIMÁTICO: desenvolvido a partir de simulações computacionais para prever a iluminação e ventilação naturais, além de garantir o conforto térmico da casa sem uso de sistemas artificiais.
– TERRAÇO VERDE: para aumentar a cobertura verde minimizando o efeito das ilhas de calor;
– OCUPAÇÃO SUSTENTÁVEL: a casa é compacta e ocupa uma porção pequena do terreno, o restante é tratado com paisagismo ecológico e revesitimentos permeáveis para absorver as aguas pluviais, evitando enchentes e criando maior integração com o ecossistema local;
– MATERIAIS DE BAIXO IMPACTO: todos os materiais da obra foram selecionados rigorosamente e devem obedecer a alguns critérios de sustentabilidade: baixa emissão de poluentes, princípios de reciclagem, materiais regionais, madeiras certificadas, tintas de baixa emissão, entre outros;
– SISTEMA DE ÁGUA E ESGOTO ECOLÓGICOS: a casa faz proveito de água de chuva e limpa e reaproveita águas cinza (águas das lavações). As águas cinza passam por uma tratamento natural por filtro plantado e é reaproveitada nos vasos sanitários;
– ILUMINAÇÃO EFICIENTE: a iluminação diurna é sempre garantida por iluminação natural e a noturna é feita por lâmpas eficientes como fluorescentes e leds.

Este projeto e todas as suas soluções de saneamento e materiais está sendo disponibilizado para comercialização na loja virtual da Ecodhome, entre em contato!

eco casa
Ficha técnica:

Local: Florianópolis – SC

Ano do projeto: 2008

Soluções de sustentabilidade: projeto bioclimático fazendo uso de direconamentos propícios de Feng Shui, utilização de materiais de baixo impacto como tijolo de solo-cimento, telhado verde, reuso de água de chuva e de águas cinza, e aquecimento solar de água.

Projeto arquitetônico: Arq. Carine Nath

Veja o programa Missao casa mostrando a Casa Modelo: