Mini moradias ecológicas

Por que complicar as coisas, se nossa vida pode ser simplificada?

A empresa Canadense Sustain Design Studio é especializada em fazer mini casas sustentáveis, que podem ser até carregadas para outros lugares ou receber mais cômodos caso a família cresça. São módulos de moradia, alguns feitos com conteiners. Os módulos são sustentáveis pois possuem brises, paredes isolantes e telhado verde para conforto térmico, possuem sistema de tratamento de esgoto, espaço para pequena horta e compostagem e uso de materiais atóxicos nos acabamentos:

 

Tudo o que você precisa para uma casa está neste modelo de casa conteiner da Port-a-Bach:

Conheça também a pequena Eco Shed:

De Ric Frankland, a mini eco casa chamada Dwelle:

 

 

 

Modelo de sustentabilidade na arquitetura: Real Goods Solar Living Center

O trabalho do arquiteto Sim Van Der Ryn é notável na área da sustentabilidade. Segundo seu portifólio, ele segue o princípio do Design for Life, ou seja, “desenho para a vida“, projetos feitos para valorizar a vida, inspirados na natureza, nos seus processos e ciclos e formas.

O projeto Real Goods Solar Living Center é um dos maiores modelos de sustentabilidade aplicada à arquitetura. Está localizado na Califórnia, EUA e foi projetado em 1996. Seus princípios de arquitetura sustentável são:

– projeto bioclimático;

– paisagismo sustentável com criação de espécies orgânicas;

– autonomia de energia;

– uso de água de chuva;

– materiais de baixo impacto, como a terra estabilizada (paredes em taipa).

A forma do complexo construído partiu do formato da espiral áurea, que é uma espiral logarítmica com um valor específico para o fator de crescimento. Este padrão é muito encontrado na natureza e para muitos estudiosos, é uma proporção pela qual identificamos a harmonia das formas. Os edifícios ao redor são escalonados e permitem que a luz e o calor do sol entre em cada ambiente de acordo com a necessidade de cada estação do ano.

Arquitetura sustentável

arquitetura bioclimática

A arquitetura bioclimática dos edifícios faz uso de luz natural com proteção através de brises:

Brises na arquitetura

No centro deste complexo está um espelho de água em espiral que serve para melhorar a umidade do ar e criar um elemento natural harmonico no centro.

Espelho dágua

Lago ornamental em espiral

O uso e efeito da luz natural nos ambientes tem grande importância nos espaços e são tratados de forma especial pelo benefício que trazem para os usuários. Um exemplo disso é a iluminação natural da loja, que vende produtos naturais feitos no local, as aberturas superiores é suficiente para iluminar o ambiente  e no meio da loja prismas criam um arco iris no chão pela incidência da luz solar.

Efeito de luz natural

As unidades habitacionais são criadas dentro do mesmo princípio, com formas orgânicas e paredes feitas em taipa. cada unidade tem sua produção própria de alimento:

O complexo é auto suficiente em energia, há fontes de energia alternativas em todos os espaços:

Fontes de energia alternativas

Exposição Morada Ecológica no MAM

O Museu de Arte Moderna de São Paulo inaugura no dia 19 de abril, a partir das 20h, com patrocínio da Duratex e da Elekeiroz, a exposição Morada ecológica, itinerância da Cité de l’Architecture & du Patrimoine, de Paris, com a curadoria de Dominique Gauzin-Muller. Na abertura, a curadora participará de uma mesa-redonda com o arquiteto Marcelo Aflalo na qual debatem os temas levantados pela exposição e pelo livro Arquitetura Ecológica (Editora Senac São Paulo), de autoria de Gauzin-Muller, que será lançado no evento, às 18h, no Auditório Lina Bo Bardi, do MAM-SP.

Morada ecológica aborda as principais inovações da arquitetura contemporânea ao redor do mundo e a forma como a sustentabilidade vem influenciando a maneira de pensar as construções e desenvolvimento urbano na atualidade. A exposição traz mais de 50 projetos pioneiros de arquitetos de várias partes do globo para refletir sobre como a necessidade de preservação das já escassas reservas naturais vem alterando a maneira de pensar a arquitetura e o desenvolvimento urbano no século 21.

Nomes internacionalmente conhecidos e precursores do movimento ecológico na habitação:
Wolfgang Ritsch (Áustria)
Precursores
Frank Loyd Wright (EUA)
Alvar Aalto (Finlândia)
Sverre Fehn (Noruega)
Pierre Lajus (França)
José Zanine (Brasil)
Glenn Murcutt (Austrália)
Paolo Soleri (EUA)
Hassan Fathy (Egito)
Balkrishna Doshi (Índia)

Outros nomes da prática atual:

Rural Studio

Elemental

Anna Heringer


Olavi Koponen

Martin Rauch

Do que é feita uma casa sustentável?

O ambiente construído deve ser repensado, reconceituado, considerando que cada componente num projeto de um edifício representa certa quantidade de energia e materiais consumidos, uma quantidade de poluentes emitidos e uma parte dos ecossistemas degradados (YEANG, 2006. P.315. Tradução nossa).

De uma perspectiva ambiental, o arquiteto passa a ser eticamente responsável pela disposição dos materiais no sistema construído “da fonte e de volta à fonte” e pelo destino de longo prazo do sistema projetado. O arquiteto deve considerar a edificação como uma forma de administrar energia e materiais e, em conseqüência, administrar de maneira prudente os recursos naturais (YEANG, 2006).

Pensando nisso, do que deve ser feita uma casa sustentável? Quais soluções são as ideais, levando em consideração que a casa afetará o ecosistema em que está inserida sistemicamente?

Na verdade solução ideal não existe, é preciso levar em consideração os recursos locais, por recurso pode-se entender materiais, energia, água, inclusive resíduos e recursos financeiros, afinal a sustentabilidade social e economica também deve existir.  Outro ponto a se considerar é a cultura e aceitação do sistema construtivo por quem vai usar e quem vai construir, nada adianta um sistema que será culturalmente rejeitado e não será reproduzido!

Para alguns, as edificações deverão se valer da melhor forma das tradições e materiais de cada região, premissas da bioconstrução. Este novo regionalismo baseia-se nos materiais construtivos locais e responsabilidade climática, econômica e cultural, com soluções adequadas. Como exemplo disso, pode-se citar o uso de terra estabilizada na forma de solo-cimento, adobe e pau-a-pique, uma releitura de técnicas tradicionais que vem sendo utilizadas em algumas casas sustentáveis brasileiras, como é este exemplo do escritório do IPEC (instituto de permacultura do cerrado).

 

Yeang (2006) defende o alto desenvolvimento tecnológico gerando novos materiais e sistemas prediais que podem tanto diminuir impactos como também podem promover um aumento de bem-estar humano e incremento no ecossistema local. A exemplo disso tem-se seus arranha-céus, que são harmonicamente inseridos no local, com integração de materiais orgânicos e inorgânicos, minimizando impactos negativos, mas fazendo uso de alta tecnologia.

Há também o conceito da pré-fabricação, com projeto ecológico modular com materiais de baixo impacto e, muitos deles reciclados ou reaproveitados. Um exemplo disso é o módulo de moradia miniHome criado pelo Sustain Design Studio no Canadá. A casa chega pronta no local; pode ser desmontada e transportada; e ainda tem projeto flexível podendo receber mais cômodos com o tempo. Possui telhado jardim, coleta de água de chuva, espaço para produção local de alimentos e sistema de tratamento de efluentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sustentabilidade é isso, não é uma receita de bolo pronta, cada caso será um caso. Como diz Schumacker, é preciso pensar localmente para resolver os impactos globalmente.

Para a melhor escolha, uma série de fatores incide na escolha de materiais e componentes de forma mais sustentável:

  • fontes de energia renováveis na produção ou manutenção e baixa energia embutida (inclusive no transporte);
  • alto conteúdo reciclado, maximizando futura reutilização ou reciclagem;
  • potencial do material para ser continuamente reutilizado ou reciclado no fim de sua vida útil;
  • baixo impacto ecológico na produção (emissão, resíduo e poluição baixos);
  • biodegradabilidade;
  • produção local dos materiais ou uso de materiais que não são refinados e mais próximos de seu estado natural, já que assim é gasto menos energia para utilizá-lo;
  • baixa toxicidade para humanos e ecossistemas;
  • método de instalação e desinstalação facilitada;
  • ciclo de vida longo para maior durabilidade e menor uso de recursos.